
M. do Carmo Monteiro de Araújo

O contexto social em que vivemos sugere tratamento, diálogo e debate. Daí o nosso interesse em proporcionar um Encontro no dia 8 de Novembro, 2ª feira, pelas 18h na nossa Escola Jaime Moniz, Auditório 1, com esta temática.
Como sempre , insere-se na rubrica "Nós e os Outros".
Responsáveis pelas Comunicações estarão a Professora Doutora Maria do Carmo Trindade Rocha e a Dra. Graça Alves, sobejamente conhecidas de todos.
Teríamos muito gosto que estivessem connosco, já que é tão difícil hoje estarmos juntos com frequência. A nossa vizinhança, como sabem, é cultural e afectiva...A nossa orografia e os afazeres tendem a separarem-nos e isso não queremos.
Tragam amigos...
Aqui partilhamos o resumo desta comunicação:
A felicidade, acto cognitivo e volitivo, pode estar associada a factores internos e externos.
O ser feliz é uma atitude perante a vida, apoiada sobre a construção do eu, em busca do sentido da própria vida. O ser feliz reside na procura, dentro de nós próprios, do significado da nossa vida, através do modo como vivemos e da leitura que fazemos das oportunidades ao longo da nossa existência e que vão surgindo em vários “aqui” e em distintos “agora”. Ser feliz traduz-se na abertura a si, ao outro e ao mundo, e supõe reflexão e flexibilidade, condições essenciais para que a procura não seja auto-centrada nem redutora. Ser feliz implica uma busca pessoal, livre e autónoma, consciente e responsável. Ser feliz é manter a capacidade de reencontrar-se, de deslumbrar-se, de maravilhar-se com aquilo que de muito bom acontece cada dia, discretamente, e que a rotina pode subestimar. Daí a necessidade de investir na construção da Pessoa e de promover a literacia afectiva e emocional.
Tudo está dentro de nós, no modo como vivemos e na leitura que fazemos das nossas vivências. Embora factores externos possam, muitas vezes, ultrapassar-nos, a nível interno, podemos e devemos procurar o sentido da nossa vida e o significado das decisões que, permanentemente, tomamos e das opções que fazemos, e que configuram a construção do nosso projecto de vida.
Reconhecido e reclamado o direito a ser felizes, assumimos o dever de investir na nossa felicidade. Sê-lo-emos sozinhos? Como consideramos o outro nas nossas vidas? Segundo as teorias de Piaget e de Rogers, tornamo-nos tanto mais pessoas quanto mais nos descentrarmos de nós próprios e interagirmos com os outros, numa dialéctica de relações interpessoais, sem nunca esquecer a dignidade própria e do outro, contribuindo para o nosso desenvolvimento e para o de outros seres humanos. Ninguém é feliz sozinho! Precisamos dos outros, que nos ajudam a ser felizes.

























No dia 4 de Outubro, pp, pelas 18 horas, no auditório da Escola Secundária Jaime Moniz, teve lugar uma palestra sobre Ambiente, incidindo sobre: Aluviões/Inundações e Incêndios na Madeira.
O orador convidado foi o Dr Raimundo Quintal, Geógrafo e Ambientalista Madeirense.
A mesma inseria-se na rubrica NÓS e OS OUTROS, iniciativa do BANCO DE TEMPO, Funchal- Jaime Moniz.
Na introdução, uma das Coordenadoras do BdT, Maria do Carmo Araújo, explicou os objectivos do evento:
1. Promover o encontro dos seus membros, simpatizantes e amigos, muitas vezes afastados pelas condições físicas da Ilha, nomeadamente a sua orografia, superando a necessidade de aprofundamento de uma relação de empatia e afecto.
2. Trazer à Escola e àquele Espaço temáticas aliciantes, de interesse comum, cívico e congregantes. Daí o interesse em convidar entidades, pessoas que se distinguem pelo trabalho realizado, pela sua competência.
O Dr Raimundo Quintal,que acedera prontamente ao convite que lhe fora feito, começou por referir-se aos acontecimentos do passado mês de de Fevereiro. Explicou que situações semelhantes têm assolado a Região ao longo da sua história. São particularmente conhecidas nos séculos XIX, XX, bem como as suas consequências em diferentes partes da Ilha e o risco que representam para as áreas de maior concentração da população. Assinalou a necessidade de ordenamento do território, no respeito pelas linhas de água, ribeiros, riachos que desempenham um papel fundamental no escoamento das águas, numa Região, montanhosa, sujeita, por vezes, a chuvas torrenciais, copiosas. A obstrução de ribeiros por construções de qualquer índole cria as condições que estão na origem, infelizmente, de catástrofes como a ocorrida em Fevereiro deste ano. Chuvas copiosas, mais intensas nas áreas mais altas, cujas águas procuraram descer os grandes declives, buscando os seus percursos, levaram consigo o que encontravam pela frente, ceifando vidas humanas, 45, e deixando ainda um número de desaparecidos.
Se é de lamentar o ocorrido em Fevereiro, é desolador o aspecto em que se encontram as serras madeirenses com os incêndios deste Verão. Segundo os números oficiais, a área ardida corresponde a 11% da Ilha, embora estudos que estão a ser efectuados possam vir a aumentar aquele valor. O desaparecimento do coberto vegetal, não só de altitude mas atingindo também a magnifica Laurissilva, floresta climácica que é o orgulho dos madeirenses, deve ser uma preocupação para todos. O trabalho realizado pelo Parque Ecológico no sentido de proteger as espécies endémicas e expandi-las foi posto em causa pelos incêndios deste ano. Contudo esta entidade empreendeu de imediato uma acção concertada e responsável, com os seus membros e muitos voluntários que responderam ao seu apelo, no sentido de fazer face a esta calamidade. Têm procedido à remoção do material ardido, tarefa árdua, procedendo à separação do material mais volumoso, de maiores dimensões, troncos e outros, do outro de reduzida dimensão. Este será utilizado na compostagem e poderá reverter para devolver ao solo o humus necessário à sua fertilização. Os troncos e outro material de maiores dimensões foram utilizados para, segundo as curvas de nível, se formarem socalcos com a preocupação de prevenir a escorrência e erosão mas também criar solo para novas plantas. É preocupação cobrir as serras com espécies endémicas, reconstituir a flora característica da Madeira , mais resistente ao fogo, e , logicamente em equilíbrio com o clima/ambiente da área onde serão introduzidas. Já se fizeram viveiros onde despontam espécies madeirenses como o vinhático e outras que voltarão ao seu habitat mas levarão muitos anos a atingir as suas dimensões normais.
Salientou o orador, novamente, a necessidade de ordenamento florestal, evitando-se a introdução de resinosas, como o pinheiro, evitar também a carqueja, invasora.
A repercussão da devastação pelos incêndios no turismo não é de somenos importância, sobretudo sabendo-se da percentagem que procura a Ilha numa vertente ecológica, regalando-se ao caminhar pelos trilhos que cortam a Madeira de lés a lés. Pois, segundo fontes oficiais apenas 28 dos 52 são transitáveis, embora se aponte para uma realidade ainda mais penosa. O fogo não se limitou a devastar o precioso coberto vegetal por onde passou. Com as altas temperaturas fragilizou rochas, partiu-as, colocando em risco muitos trajectos seguidos pelos amantes da Natureza, sendo fácil de prever desmoronamentos!
A assembleia presente seguiu atentamente as palavras do Dr Raimundo Quintal, registando aspectos relevantes e reconhecendo o trabalho empenhado do Parque Ecológico.
Respirou-se um ambiente de preocupação comum pelo que é de todos e da responsabilidade de todos. O agradecimento pela vinda do Orador era bem patente.
Cumpriam-se os objectivos propostos pelo BdT.
Maria José Soares (Professora de Geografia e membro do BdT)
Conheça melhor o trabalho realizado pela Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal (carregue no link)