























Um momento de reflexão, partilha e convívio sempre aguardado com grande expectativa por mais de setenta participantes.
Aqui ficam as imagens.

























No dia 4 de Outubro, pp, pelas 18 horas, no auditório da Escola Secundária Jaime Moniz, teve lugar uma palestra sobre Ambiente, incidindo sobre: Aluviões/Inundações e Incêndios na Madeira.
O orador convidado foi o Dr Raimundo Quintal, Geógrafo e Ambientalista Madeirense.
A mesma inseria-se na rubrica NÓS e OS OUTROS, iniciativa do BANCO DE TEMPO, Funchal- Jaime Moniz.
Na introdução, uma das Coordenadoras do BdT, Maria do Carmo Araújo, explicou os objectivos do evento:
1. Promover o encontro dos seus membros, simpatizantes e amigos, muitas vezes afastados pelas condições físicas da Ilha, nomeadamente a sua orografia, superando a necessidade de aprofundamento de uma relação de empatia e afecto.
2. Trazer à Escola e àquele Espaço temáticas aliciantes, de interesse comum, cívico e congregantes. Daí o interesse em convidar entidades, pessoas que se distinguem pelo trabalho realizado, pela sua competência.
O Dr Raimundo Quintal,que acedera prontamente ao convite que lhe fora feito, começou por referir-se aos acontecimentos do passado mês de de Fevereiro. Explicou que situações semelhantes têm assolado a Região ao longo da sua história. São particularmente conhecidas nos séculos XIX, XX, bem como as suas consequências em diferentes partes da Ilha e o risco que representam para as áreas de maior concentração da população. Assinalou a necessidade de ordenamento do território, no respeito pelas linhas de água, ribeiros, riachos que desempenham um papel fundamental no escoamento das águas, numa Região, montanhosa, sujeita, por vezes, a chuvas torrenciais, copiosas. A obstrução de ribeiros por construções de qualquer índole cria as condições que estão na origem, infelizmente, de catástrofes como a ocorrida em Fevereiro deste ano. Chuvas copiosas, mais intensas nas áreas mais altas, cujas águas procuraram descer os grandes declives, buscando os seus percursos, levaram consigo o que encontravam pela frente, ceifando vidas humanas, 45, e deixando ainda um número de desaparecidos.
Se é de lamentar o ocorrido em Fevereiro, é desolador o aspecto em que se encontram as serras madeirenses com os incêndios deste Verão. Segundo os números oficiais, a área ardida corresponde a 11% da Ilha, embora estudos que estão a ser efectuados possam vir a aumentar aquele valor. O desaparecimento do coberto vegetal, não só de altitude mas atingindo também a magnifica Laurissilva, floresta climácica que é o orgulho dos madeirenses, deve ser uma preocupação para todos. O trabalho realizado pelo Parque Ecológico no sentido de proteger as espécies endémicas e expandi-las foi posto em causa pelos incêndios deste ano. Contudo esta entidade empreendeu de imediato uma acção concertada e responsável, com os seus membros e muitos voluntários que responderam ao seu apelo, no sentido de fazer face a esta calamidade. Têm procedido à remoção do material ardido, tarefa árdua, procedendo à separação do material mais volumoso, de maiores dimensões, troncos e outros, do outro de reduzida dimensão. Este será utilizado na compostagem e poderá reverter para devolver ao solo o humus necessário à sua fertilização. Os troncos e outro material de maiores dimensões foram utilizados para, segundo as curvas de nível, se formarem socalcos com a preocupação de prevenir a escorrência e erosão mas também criar solo para novas plantas. É preocupação cobrir as serras com espécies endémicas, reconstituir a flora característica da Madeira , mais resistente ao fogo, e , logicamente em equilíbrio com o clima/ambiente da área onde serão introduzidas. Já se fizeram viveiros onde despontam espécies madeirenses como o vinhático e outras que voltarão ao seu habitat mas levarão muitos anos a atingir as suas dimensões normais.
Salientou o orador, novamente, a necessidade de ordenamento florestal, evitando-se a introdução de resinosas, como o pinheiro, evitar também a carqueja, invasora.
A repercussão da devastação pelos incêndios no turismo não é de somenos importância, sobretudo sabendo-se da percentagem que procura a Ilha numa vertente ecológica, regalando-se ao caminhar pelos trilhos que cortam a Madeira de lés a lés. Pois, segundo fontes oficiais apenas 28 dos 52 são transitáveis, embora se aponte para uma realidade ainda mais penosa. O fogo não se limitou a devastar o precioso coberto vegetal por onde passou. Com as altas temperaturas fragilizou rochas, partiu-as, colocando em risco muitos trajectos seguidos pelos amantes da Natureza, sendo fácil de prever desmoronamentos!
A assembleia presente seguiu atentamente as palavras do Dr Raimundo Quintal, registando aspectos relevantes e reconhecendo o trabalho empenhado do Parque Ecológico.
Respirou-se um ambiente de preocupação comum pelo que é de todos e da responsabilidade de todos. O agradecimento pela vinda do Orador era bem patente.
Cumpriam-se os objectivos propostos pelo BdT.
Maria José Soares (Professora de Geografia e membro do BdT)
Conheça melhor o trabalho realizado pela Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal (carregue no link)
Pedimos desculpa pelo atraso na publicação deste texto.
Neste encontro nacional, participaram três membros do nosso BdT Funchal-Jaime Moniz: a Graça Silva, a Carmo Araújo e a Ana Fátima Sobrinho.
Do programa da sessão de trabalho, no dia 21, na Póvoa de Varzim, que, de certo modo, teve um carácter lúdico, destacamos o seguintes itens:
- o balanço da actividade de cada Agência referente ao ano 2009;
- as cores escolhidas para referenciar cada uma. O nosso BdT escolheu a cor verde água simbolizando algumas das suas características/valores: transparência, discrição, esperança, paciência, abertura e generosidade;
- o Banco de Tempo como Espaço de Aprendizagem - o trabalho decorreu em grupos com representantes das diversas agências presentes, desenvolvendo cada uma um dos três tópicos: saber estar, saber fazer e saber ser. Em sessão geral, foram apresentadas as conclusões.
- a avaliação e o encerramento dos trabalhos realizados, deixaram em todos os participantes a convicção do valor da partilha de experiências, todas elas articuladas pelo princípio/filosofia comum de DAR e RECEBER.
Ao fim da tarde, desfrutámos de um magnífico passeio de barco no Rio Douro e terminámos o dia com um lauto jantar num típico restaurante à beira rio.
No início da manhã do dia 22 de Maio, sábado, tivemos uma visita guiada aos principais pontos turísticos do Porto. Conhecemos e experimentámos o encanto de uma velha e deslumbrante cidade que, com todo o mérito, recebeu, em 1996, da U.N.E.S.C.O., a classificação de Património Mundial.
Terminámos o Encontro com um excelente piquenique, da responsabilidade da Junta de Freguesia da Foz do Douro, cuja agência de Banco de Tempo foi em grande parte responsável pela organização. Partilhámos um muito agradável convívio, com os sabores da famosa gastronomia nortenha, acompanhados pelos cantares e danças regionais. Acima de tudo, ficámos muito sensibilizadas pelo afecto, pela simpatia e pelo extraordinário espírito hospitaleiro.
Concluindo, o Projecto Banco de Tempo, aparentemente “materialista”, envolve princípios e objectivos de grande dimensão humana e espiritual. Proporciona a proximidade, promovendo as relações de vizinhança, hoje bastante esbatidas.
Maria da Graça Silva, coordenadora
